Ele, um homem especial expansivo, alegre, caridoso, coerente em suas decisões e opiniões. Jitaunense nato. Orgulhoso de sua terra,de sua família de seus amigos.
Um contador de história. Reza a lenda que foi ele quem matou uma cobra sucuri com quase 5 metros próximo na barragem. Se foi historia de caçador, ninguém sabe.
Ele que contava suas graças com verdade, não fugia de nenhum assunto se interessava por qualquer tema. Era um homem de pouco estudo, mas conseguia ser phd em diversas disciplinas.
E ele passou a ser um homem que tinha que observar a vida meio que imóvel, mas com habilidade.
Esse homem tranquilo e absoluto em sua vivência e sobrevivência se habituou a tudo que a vida lhe propôs ou lhe impôs. Sabia que era merecedor de qualquer coisa que era posto . E de sua calçada conseguia admirar e se aproveitar das cenas cotidianas...Se era de manhã quando começava o raiar de um novo dia ele estava lá, sorridente da janela de sua casa vendo pessoas indo ou chegando de seu trabalho, meninos indo para a escola, secretárias comprando pão, garis deixando as ruas limpas, cheiro de natureza no ar...
Quando eu passava pela praça, o via cheio de graça, sentado com ar de Rei, como se comandasse aquela massa que desfilava sob seus olhos. Não me parecia um homem solitário, e seu perfume era de erva do campo. Ele se cuidava, mesmo estando ali naquela cadeira de rodas. Ele era parte daquele cenário que o tinha adotado, desde sempre.
Mas ele se foi, tendo cumprido o seu papel. Desfruta hoje de um prêmio merecido, com uma família feita e amada, com uma tranquilidade gritante que ele tanto buscou a vida inteira, mesmo quando não teve a sorte deferida, passou a ser feliz conformado com as suas raizes e sementes que plantou e tinha que colher.
Suas histórias verdadeiras ou inventadas que sempre são contadas e recontadas, com detalhes e cores rebuscadas, não falta fatos apimentados, fazendo parte do folclore da cidade.
Seu Bilú se fez Homem como uma colcha de retalhos de fios nobres, foi um peito onde se aconchegou ricos e pobres, sem discriminação, pra ele todos eram um novo irmão, independente de seu conceito da sociedade e do amor que acolheu com dignidade.
Há um mês, seu Bilú se fez luz do sol ou clarão da lua. E a esquina, seu posto, sua vida, perdeu o morador ilustre e o céu agregou um excelente ser humano.
E pela sobra do amanhã que ainda resta , valores agregados que o passado atesta, Sonho de liberdade que nos foi afastado, um poema que nasceu lá na esquina, com seus cabelos de neve, suas rugas, seu rosto, mostrou o quanto valeu a sua experiência já adquiridas no decorrer de sua vida e o quanto aprendemos com ele. Merece nosso respeito e carinho


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